No último sábado eu fiz uma cirurgia no smilinguido, a famigerada cirurgia de fimose. Quando eu era criança, meu pediatra ensinou um exercício que minha mãe tinha que fazer no dito-cujo pra pele se soltar, porém o exercício em questão era horrível e desconfortável e logo eu pedi pra deixar pra lá. Minha me alertou que eu teria que fazer cirurgia, em um tom de mau augúrio, como se fosse uma sentença de morte ( que pra ela eu imagino que fosse mesmo hehe) e essa ideia me aterrorizou na época. Anos depois lá fui eu pra faca, por livre e espontânea vontade.
Essa cirurgia me fez refletir sobre algumas coisas. De como eu não conhecia uma parte signifcativa do meu corpo. É quase como se eu tivesse um pau novo. O que isso significa na minha vida? Essa nova descoberta corporal, vindo em conjunto com a descoberta da minha fluidez de gênero me faz pirar um pouco na batatinha e chegar em algumas conclusôes: Nem tudo que tem pinto é homem. Nem todo homem tem pinto. O falo é um símbolo de poder, de fertilidade e assertividade, com os seus próprios ciclos, de potência e decadência. Ele ( o pau) é apenas uma das formas em que esse poder se manifesta, mas não é o único. Fertilidade não é só sexo. Nem tudo gira em torno de sexo reprodutivo. O falo também é um símbolo de prazer. Talvez eu me identifique muito mais com o falo como símbolo de prazer do que como símbolo de fertilidade ( no sentido reprodutivo da palavra). Ter um pau não me faz homem. Dar o cu não me faz mulher. E eu sou ambos. E nenhum dos dois.

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